Webinar da SPI discute a importância da higiene das mãos e do controle das infecções hospitalares no Brasil

Em maio, celebramos duas datas importantes para o calendário da saúde: dia 5 de maio, o Dia Mundial da Higiene das Mãos, promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que reforça que essa prática, quando feita de maneira correta, evita a transmissão de infecções causadas por vírus, bactérias, fungos e parasitas.

E, no dia 15, é celebrado o Dia Nacional do Controle das Infecções Hospitalares, que foi criado com o objetivo de conscientizar autoridades, gestores e profissionais dos serviços de saúde, além da população em geral, sobre a importância do controle das infecções para toda a sociedade. 

Para falar sobre esses temas relevantes para a área da saúde, preparamos uma webinar especial no Programa Educacional 2023: “Terças-feiras com a SPI", promovido pela Sociedade Paulista de Infectologia, com a participação da Associação Paulista de Epidemiologia e Controle de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (APECIH).

A sessão, realizada em formato virtual na noite de terça-feira (09), teve a coordenação do médico infectologista, professor da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) e presidente da SPI, Dr. Carlos Magno Fortaleza e a médica infectologista do HCFMUSP e HSPE-FMO, e diretora da SPI, Dra. Thais Guimarães, contou com a participação de 165 pessoas.

O encontro teve duas palestras: a primeira foi conduzida pelo médico infectologista, professor da Disciplina de Infectologia na Unifesp e coordenador científico da SPI, Dr. Eduardo A. S. Medeiros, que destacou o histórico das infecções hospitalares no Brasil, em casos que tiveram repercussão nos anos 90, e o surgimento de novas portarias na Legislação de Controle de Infecção Hospitalar. “Um grande avanço foi a criação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária de um Programa de Prevenção e Controle de IH, em 1999”, comenta.

O especialista também falou sobre os principais representantes da Infectologia que se destacaram nesta área, de controle hospitalar, e apresentou alguns dados dos últimos anos de estudos, mostrando a taxa de prevalência geral de 10% de IRAS.

Ele explicou também como enfrentar a emergência de microrganismos multirresistentes no cenário dos hospitais brasileiros. “Temos grandes desafios, porque praticamente não temos tratamentos disponíveis aqui no Brasil. Inclusive, surgiu durante a pandemia a Candida auris em uma UTI, inicialmente em Salvador, depois em Recife. Além disso, houve um aumento das pneumonias relacionadas à ventilação mecânica, infecção primária de corrente sanguínea em 45% em 2020 e 21 e o aumento no uso de antibióticos, também devido ao período da Covid-19”.

Em seguida, teve início a palestra apresentada pela enfermeira, Dra. Julia Kawagoe – HIAE e OMS, sobre ciência da implementação e higienização das mãos: onde estamos 170 anos após Semmelweis. A especialista falou sobre as recomendações de higiene das mãos e manuais da Organização Mundial da Saúde (OMS) para serem seguidos, que são maneiras comprovadamente eficazes para evitar transmissão de vírus e bactérias.

Dra. Julia apontou para o que considerou o “divisor de águas”, a mudança de paradigmas que foi o Manual Higiene das Mãos – CDC (2002). Também deu o exemplo da preparação alcoólica para higiene das mãos, que tem eficácia antimicrobiana comprovada e pode melhorar o desempenho na segurança do paciente, na redução das IRAS e dos seus custos associados.

“Para melhorar a adesão da higiene das mãos, existem estratégias, como monitoramento repetido e feedback da conformidade de desempenho de higiene das mãos, ferramentas de comunicação e educação, lembretes constantes no ambiente de trabalho e participação ativa e feedback nos níveis individual e organizacional, apoio da gerência sênior e envolvimento de líderes institucionais, que fazem parte do programa de estratégia multimodal que a OMS acabou publicando em 2009, indicando o uso de preparação alcoólica e aplicando a estratégia multimodal para melhorar a adesão à higiene das mãos e reduzir as infecções relacionadas à assistência à saúde”, enfatizou, citando esse estudo do Hospital em Genebra.

Após as exposições, a webinar também reservou um momento para os convidados responderem dúvidas dos participantes e os professores deram importantes orientações sobre os 5 momentos da higiene das mãos.





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