Associados da SPI publicam recomendações sobre prevenção de doenças infecciosas em pacientes transplantados

A revista Transplantation publicou recentemente um suplemento para as recomendações de manejo de doenças endêmicas da América Latina em receptores e doadores de transplante de órgãos sólidos. Essas recomendações baseiam-se na avaliação sistemática da literatura e na opinião de especialistas nacionais e internacionais provenientes de 13 países, representando três continentes (Ásia, Américas e Europa), com experiência tanto no manejo de pacientes transplantados de órgãos sólidos quanto no manejo de doenças endêmicas. O suplemento teve o apoio de sociedades médicas nacionais e internacionais e foi financiado por um Acordo de Cooperação Técnica entre a Organização Panamericana de Saúde (OPAS) e o Ministério da Saúde do Brasil, promovido pela Dra. Rosana Northen, coordenadora do Sistema Nacional de Transplante. Ao todo são 11 artigos dedicados às principais doenças endêmicas da América Latina e um sumário com o resumo das recomendações.
 
O projeto foi desenvolvido em parceria com vários colegas brasileiros e relevantes profissionais da Infectologia de São Paulo em interface com a atividade transplantadora, representando diferentes instituições: Lígia Camera Pierrotti (FMUSP), Edson Abdala (FMUSP), Luís Fernando A. Camargo (UNIFESP), Raquel S. B. Stucchi (UNICAMP),  Maurício L. Nogueira (FAMERP), Noemia Barbosa Carvalho (FMUSP), Arnaldo Lopes Colombo (UNIFESP), Silvia Maria Di Santi (IMT-USP), Marta Heloisa Lopes (FMUSP) e Aluísio Cotrim Segurado (FMUSP).
 
Abaixo você confere os comentários dos temas apresentados pelos associados da SPI:
 
A doença de Chagas é uma doença endêmica na América Latina, com cerca de seis a sete milhões de pessoas infectadas. No transplante de órgãos, essa doença tem grande importância, sob diferentes aspectos: importância pelo risco de transmissão pelo órgão transplantado, importância no reconhecimento do receptor infectado para o seu manejo adequado no período pós-transplante e como causa relevante de cardiopatia crônica na indicação de transplante cardíaco nas áreas endêmicas. Nesse contexto, discute-se o diagnóstico da doença de chagas crônica de doadores e candidatos no período pré-transplante e os conceitos de infecção aguda e reativação no período pós-transplante, bem como vigilância clinico-laboratorial, manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento dessas complicações. Os autores discutem as evidências atuais de indicação de profilaxia e tratamento da infecção aguda e reativação da doença de chagas no período pós-transplante, com orientações práticas em relação ao manejo da terapia imunossupressora e da terapia antiparasitária” - Dra. Lígia Camera Pierrotti, médica infectologista  no Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo e Membro do Corpo Editorial do Suplemento (Recommendations on travel medicineand the management of endemic disease in solid organtransplant recipientes and donors: Latin America).
 
É inquestionável o papel da imunização no controle das doenças imunopreviníveis. E, no cenário do transplante de órgãos, sua recomendação é imperiosa. Neste capítulo enfatizamos o calendário com todas as vacinas a serem feitas para todo candidato a transplante de órgãos, incluindo o melhor momento para sua indicação, número de doses, reações adversas e eficácia vacinal. Em algumas situações alertamos para os riscos das vacinas de vírus atenuado: como quando podem ser feitas e os cuidados após sua administração. Enfoque especial é dado para a vacinação dos familiares e contatos próximos ao paciente em lista de transplante, assim como para o calendário de vacinação que deve ser seguido pelosprofissionais da saúde que trabalham com estes pacientes” - Raquel Silveira Bello StucchiLivre Docente / Professora Associada, Disciplina de Infectologia, Departamento de Clínica Médica, Faculdade de Ciências Médicas, Coordenadora do Grupo de Hepatites Virais, Coordenadora do Grupo de Infecção em Imunossuprimidos, Diretora do Hospital Dia  do Hospital de Clínicas Universidade Estadual de Campinas – Unicamp.
 
 
O artigo por nós publicado na revista Transplantation tem uma temática muito importante, especialmente num momento onde as arboviroses estão se disseminando ainda mais. Por anos a Dengue tem afetado os pacientes com transplantes de órgão sólido, gerando uma casuística importante e uma experiência de diversos grupos. Neste trabalho sumarizamos esta experiência e ainda acrescentamos temas importantes como os arbovírus emergentes e reemergentes. Nos emergentes temos a Zika e o CHKV,  que começam a causar infecções em transplantados, mas ainda em um número muito pequeno para gerar respostas definitivas. Já em relação aos reemergentes, a Febre Amarela retorna para nos lembrar que estas patologias não nos abandonam. No artigo também discutimos esta doença. Em sumo o artigo é uma revisão importante para a situação atual” -  Maurício Lacerda Nogueira, virologista e professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP).
 
 
Todos os materiais podem ser acessados pelos links disponibilizados abaixo:

Summary
https://journals.lww.com/transplantjournal/Abstract/2018/02000/Recommendations_for_Management_of_Endemic_Diseases.10.aspx

Supplement 
https://journals.lww.com/transplantjournal/toc/2018/02002

 





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