Movimento antivacina é tema no Infectoeste 2019

No dia 9 de novembro de 2019, a Sociedade Paulista de Infectologia promoveu na Faculdade de Ciências da Saúde de Barretos – (FACISB), interior de São Paulo, a 6ª edição do Infectoeste (Congresso de Infectologia do Noroeste Paulista), encontro para estudantes de medicina, médicos residentes e médicos não-especialistas. O evento, que contou com a participação de 150 inscritos, teve como destaque uma conferência sobre imunizações na era antivacina, com a infectologista Dra. Raquel Silveira Bello Stucchi.

Durante a apresentação, a especialista mostrou que a vacina já foi responsável por erradicar diversas enfermidades, como a varíola, doença altamente contagiosa causada pelo vírus Orthopoxvirus variolae, que afeta o sistema imunológico e provoca diversas deformações na pele. Ela foi extinta do mundo nos anos 1980 depois de uma campanha de imunização global organizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). E além disso, recentemente foi anunciada a erradicação mundial do subtipo 3 do vírus selvagem da poliomielite graças à vacinação. O último caso que se tem notícia ocorreu na Nigéria, em 2012. “As vacinas são um dos maiores feitos na história da medicina. Elas são seguras, eficazes, previnem as doenças e diminuem os números de óbitos”, declarou Raquel Stucchi.  

Apesar de informações tão positivas, existem alguns fatores que contribuem para uma baixa cobertura vacinal, tais como: a falta de conhecimento tanto da população quanto dos especialistas, notícias falsas que circulam na internet, problemas de estrutura no sistema de saúde (horário de funcionamento das salas de vacina) e os grupos que criticam a forma como as imunizações são realizadas, conhecidos popularmente de "movimento antivacina".

Um episódio considerado como marco inicial do movimento antivacina foi um estudo publicado em 1988 no periódico científico The Lancet  apontando uma possível relação entre a vacina tríplice viral e o desenvolvimento do autismo. Anos mais tarde descobriu-se que esta pesquisa era fraudulenta,  o artigo foi retirado e o autor, um médico inglês,  teve seu registro de médico cassado e proibido de exercer a medicina para sempre. Mas esta publicação causou medo e recusa da vacina pelo mundo todo e que até hoje, mesmo após a constatação que era uma fraude,  continua causando receio na população e dando mais forças aos grupos antivacinas. 

“O mais importante dentro deste cenário é que possamos resgatar todo os benefícios que as vacinas trouxeram e esclarecer a população sobre essas notícias falsas. É necessário também que o poder público  otimize e facilite  o acesso da população aos programas públicos de vacinação”, finaliza a infectologista.





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