Períodos chuvosos e o desafio de minimizar os efeitos da dengue

Com a chegada dos meses mais quentes e dos períodos chuvosos, a proliferação do Aedes aegypti tem como consequência a elevação na incidência das arboviroses. O Ministério da Saúde alerta para o aumento de mais de 250% no número de casos de dengue no Brasil, quando os primeiros meses de 2019 são comparados ao mesmo período de 2018. No estado de São Paulo, o aumento foi de 2.124%. Até 16 de março deste ano, foram mais de 229 mil casos notificados no território brasileiro, dos quais 83.045 no estado de São Paulo, que registrou metade dos casos fatais do país.

Como nos últimos dois anos houve baixa ocorrência de dengue, os cuidados devem ser reforçados para que os profissionais de saúde se mantenham preparados. Para que o impacto dessa doença seja minimizado, além das medidas de prevenção, fazem-se necessários diagnóstico e tratamento oportunos. Além de dar mais atenção para sintomas sugestivos de dengue (febre alta, mialgia, dor retro-orbitária, cefaleia e exantema), é importante que os profissionais de saúde também investiguem sinais de alerta, que predizem gravidade de evolução (dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e retenção de líquidos – ascite, derrame pleural, derrame pericárdico, sangramentos, aumento progressivo do hematócrito e queda abrupta das plaquetas).

A dengue é confirmada principalmente pela detecção da proteína viral NS1 por teste rápido ou ELISA (amostras de sangue coletadas até o terceiro dia do início dos sintomas) ou pela sorologia para captura de IgM e IgG (amostras de sangue coletadas a partir do sexto dia do início dos sintomas). Testes de biologia molecular e isolamento viral podem ser indicados para casos selecionados. O tratamento é centralizado sobre sintomáticos, suporte e principalmente hidratação vigorosa adequada, prescrita de acordo com a gravidade do paciente. As principais medidas de prevenção envolvem as ações de combate ao Aedes aegypti. Até o momento, há uma vacina contra dengue registrada na Anvisa, disponível na rede privada, com principais restrições relacionadas às faixas etárias e a pré-exposições ao vírus da dengue.

*Lauro Perdigão é médico infectologista e membro da Sociedade Paulista de Infectologia





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