Terapia do HIV: do ponto zero ao controle

A primeira edição do Fórum de HIV e outras doenças associadas, evento promovido pela Sociedade Paulista de Infectologia, que aconteceu no dia 14 de fevereiro, em São Paulo, trouxe uma ampla discussão sobre os tratamentos e métodos de prevenção contra o HIV. Segundo o Ministério da Saúde, embora o número de mortes por Aids diminuiu em 16,5% em 2017, no Brasil ainda são registrados 40 mil novos casos de HIV por ano. 

Na ocasião, o médico infectologista e coordenador científico da Sociedade Paulista de Infectologia, Esper Georges Kallás, abordou em sua palestra a história do tratamento do HIV no Brasil desde os anos 80 até os dias atuais. O primeiro caso de HIV no Brasil foi diagnosticado na cidade de São Paulo. 

O especialista deu seu depoimento sobre como era atender os pacientes na época em que pouco se sabia sobre a doença e com medidas paliativas, que somente tratavam as infecções. “O programa de tratamento de HIV/aids brasileiro foi o grande responsável pela mudança deste cenário nos hospitais, levando o país a ser uma referência no tratamento de pessoas que vivem com o vírus. O que conquistamos é inegociável e temos que continuar lutando para manter e expandir”, destacou o médico.

De 1987 até 1995, o tratamento era realizado com o fármaco AZT, que prolongava pouco a vida dos pacientes e levava a muitos efeitos colaterais. Infelizmente, a monoterapia e a terapia dupla não foram suficiente para o controlar o vírus de forma eficaz. E foi em 1996 que com o Sistema Único de Saúde (SUS) já fixo, nosso país adotou de vez o chamado coquetel, que junta três tipos de medicamentos. Ainda no mesmo ano, a Lei 9.313 garantiu aos portadores de HIV a distribuição gratuita dos medicamentos.

Atualmente, o Brasil conta com o Dolutegravir, que é considerado um dos melhores antirretrovirais disponiveis. Ele é utilizado em combinação com os antirretrovirais Tenofovir e Lamivudina, os últimos dois formulados em uma só pílula. “Hoje, os medicamentos são muito mais potentes e capazes de bloquear a multiplicação do vírus com cada vez menos efeitos colaterais. Mas o país ainda sofre com a dificuldade do acesso às medicações, já que existem muitos locais em onde o acesso ao tratamento é limitado. Isso é uma questão que precisamos resolver”, explica Kallás.

Em relação ao futuro do tratamento, o médico expressou uma visão otimista de que os tratamentos vão melhorar e que novas gerações de intervenções estão a caminho. “Acho importante destacar os primeiros estudos com anticorpos monoclonais que são capazes de neutralizar o vírus e podem abrir um longo caminho para um tratamento otimizado. Eles chegam a ter duração prolongada no sangue, com ação antiviral mais potente e cada vez com menos efeitos colaterais”, finaliza o infectologista.





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