Família de coronavírus é tema durante conferência do Congresso Paulista de Infectologia

A Sociedade Paulista de Infectologia (SPI) realizou nos dias 30 de novembro a 4 de dezembro, virtualmente, o 12º Congresso Paulista de Infectologia. E um dos assuntos abordados no quarto dia de conferências foi “Coronavírus: o velho, o novo e o novíssimo”, apresentado pela Dra. Nancy Bellei, infectologista, professora e pesquisadora da Escola Paulista de Medicina/Unifesp, coordenado pela Dra. Maria Cláudia Stockler, médica assistente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, e pelo Dr. David Uip, médico infectologista e membro do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo.

Os coronavírus, família de vírus há muito tempo conhecida e estudada por especialistas, são responsáveis por provocarem doenças que vão desde resfriados até a Síndrome Respiratória Aguda, como no caso da SARS-CoV, que surgiu na China em 2002 e, embora tenha se espalhado para alguns países, foi rapidamente contida. A transmissão deste tipo de vírus, informação que ficou mundialmente difundida após o início da pandemia de Covid-19, ocorre por meio do contato próximo com um infectado. Além disso, sabe-se que os coronavírus também são vírus zoonóticos, ou seja, podem ser transmitidos entre o ser humano e outros animais. Entretanto, isso não ocorre com todos os coronavírus, já que há alguns tipos que circulam apenas entre os animais.

Um animal bastante conhecido por possuir vírus zoonóticos são os morcegos, já que vários surtos importantes de doenças foram confirmadas ou tiveram suspeitas de terem se originado neles. Em 1994, surgiu o Vírus Hendra, na Austrália, transmitido por morcego que causava infecção altamente fatal em cavalos e humanos. Outro caso ocorreu em 1998, na Malásia, com a infecção pelo vírus Nipah, que foi disseminado pelo mesmo mamífero para o porco e depois para o ser humano, que provocou desde síndromes respiratórias agudas até encefalites mortais.

Pouco depois, em 2002, a SARS surgiu na China, também transmitida pelo morcego, e teve como hospedeiro intermediário o pangolim. Já na MERS, que surgiu no Oriente Médio em 2012 e que também teve a propagação confirmada pelo mesmo mamífero voador, contou como hospedeiro intermediário o camelo, e assim como a SARS, causava síndrome respiratória no ser humano. 
Na Guiné, em 2014, o mundo se deparou com um vírus letal que provoca hemorragias intensas e falência de órgãos e, semelhante ao que ocorre com o vírus da Covid-19, os morcegos também são considerados os hospedeiros naturais do Ebola.

Na palestra, a Dra. Nancy Bellei manifestou preocupação referente aos vírus zoonóticos. "Há cerca de 850 mil tipos de vírus que podem infectar a espécie humana vindo do animal, sendo que mais de 3700 são classificados como coronavírus. Destes, sabemos que dois vindos de morcegos apresentam facilidade de infectar um ser humano e já são até considerados pré-pandêmicos", reforça.

A especialista ainda fez um alerta dizendo que a prioridade é implementar sistemas de vigilância para detectar e reagir precocemente a surtos originários destes fenômenos com potencial de disseminação global.

Em breve, essa e outras apresentações do 12º Congresso Paulista de Infectologia estarão disponíveis no site da SPI, na aba Educação Continuada.





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