Diretor da SPI comenta sobre o Prêmio Nobel de Medicina de 2020: a descoberta do vírus da hepatite C

Recentemente, foi anunciado pela Academia Sueca, em Estocolmo, que os americanos Harvey Alter e Charles Rice e o britânico Michael Houghton venceram o Prêmio Nobel de Medicina de 2020 pela descoberta do vírus da hepatite C. Os cientistas vão dividir o valor do prêmio de 10 milhões de coroas suecas, o equivalente a aproximadamente R$ 6,3 milhões.

O membro da diretoria da SPI, Dr. Evaldo Stanislau, que se dedica à luta contra a hepatite C desde os tempos de residência, aproveita a notícia para relembrar que o caminho até aqui não foi fácil. “Até que o vírus fosse descoberto em 1989 e os métodos de testagem e controle ficassem disponíveis em 1990, a doença comprometeu a vida de muitas pessoas, sendo a principal causa de transplante hepático no mundo. E a cirrose hepática, decorrente do vírus C, também chegou a ser uma entre as 10 causas de morte na humanidade. Além disso, os tratamentos feitos antigamente eram ineficazes e com muitos efeitos colaterais, que causavam uma lotação nos consultórios sem que fosse capaz tratar e curar esses os pacientes acometidos pelo problema”, explica Stanislau.



Entretanto, graças a contribuição desses cientistas e de outros especialistas, o cenário atual vem se tornando mais positivo. Segundo dados do Ministério da Saúde, os casos de hepatite C tiveram redução de 2018 para 2019, de 27.773 para 22.747. As mortes em função da doença também caíram, de 1.720 em 2017 para 1.574 em 2018.

“Com tantas contribuições importantes, desde o seu descobrimento até a criação de um tratamento antirretroviral extremamente eficaz e disponível mundialmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é com muita emoção que nós, envolvidos com essa doença, recebemos essa notícia sobre o prêmio, pois ela faz parte do processo de conseguir com que a hepatite C deixe de ser um problema de saúde pública. Viva a todos que caminham e fazem parte dessa história", finaliza o infectologista.





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