Dia 15 de maio é lembrado como o Dia Nacional de Combate a Infecção Hospitalar! Não temos muito a comemorar

*Eduardo Alexandrino Servolo de Medeiros
 
As infecções adquiridas durante a hospitalização e que não estavam em período de incubação no momento da internação são chamadas de infecções relacionadas à assistência à saúde (Iras) ou infecções hospitalares. As Iras constituem-se em grave problema de saúde pública. Elas estão entre as principais causas de morbidade e mortalidade, determinam aumento do tempo de internação hospitalar e, consequentemente, elevado custos adicionais para o tratamento do doente.
 
A ocorrência de uma infecção hospitalar não indica, necessariamente, que o hospital ou sua equipe tenha cometido um erro na assistência prestada ao paciente. As medidas preventivas atuais não conseguem evitar todas as Iras. A responsabilidade médico-legal com relação à infecção hospitalar ocorre quando se pode demonstrar que os médicos, ou a equipe assistencial, foram negligentes no cumprimento dos padrões apropriados de tratamento e que uma infecção resultou de desempenho incompatível com os padrões vigentes na instituição. As infecções hospitalares têm uma relação direta com a qualidade assistencial e as práticas de segurança do paciente.
 
No Brasil, estima-se que entre 3 e 12% dos pacientes internados contraem alguma infecção hospitalar durante a hospitalização. Dados norte-americanos mostram que os efeitos diretos das infecções hospitalares chegam a 30 mil ou mais óbitos por ano, com custos diretamente relacionados ao excesso de dias da hospitalização atingindo mais de 5 bilhões de dólares anualmente.
 
Os hospitais devem possuir uma equipe composta de infectologistas e enfermeiras com experiência no diagnóstico, na prevenção e no tratamento das Iras (Serviço de Controle de Infecção Hospitalar – SCIH). Devem promover treinamentos frequentes com os profissionais das áreas assistenciais, monitorando ativamente as infecções, o consumo de antibióticos e as práticas seguras de assistência ao paciente. Com base em protocolos de tratamento e de prevenção de infecção, a equipe da SCIH deve trabalhar de forma harmônica com as equipes assistenciais e de apoio o que facilita a aplicação das medidas de prevenção e a orientação terapêutica.
 
Apesar de muitos esforços ainda vivemos no Brasil uma realidade adversa daquilo que julgamos satisfatório. As múltiplas carências que passam as instituições de saúde brasileiras, principalmente as públicas, com a falta de recursos humanos e materiais tornam extremamente difícil à implantação de medidas eficientes no controle das infecções hospitalares. Assim, fruto da falta de preparo dos profissionais e do comprometimento dos poderes competentes observamos elevadas taxas de infecção hospitalar, principalmente em unidades cirúrgicas e pacientes sob cuidados intensivos. Além da emergência de bactérias multirresistentes e a falta de condições para dar uma assistência segura aos pacientes.
 
Esta realidade precisa de mudanças. Por um lado, torna-se necessário maior compromisso dos poderes municipais, estaduais e federal, tanto com a administração dos hospitais, visando maior qualidade e segurança do atendimento ao paciente. De outro lado, torna-se necessário ampliar os programas de orientação para a prevenção e controle das Iras, pois trabalhamos com profissionais de saúde carentes de conceitos básicos. Neste sentido, são fundamentais programas de educação continuada, tanto a nível institucional como fomentados por entidades governamentais, além da introdução de conteúdos específicos de prevenção e controle de infecções relacionadas à assistência à saúde e de segurança do paciente nos cursos de graduação da área da saúde.
 
* Eduardo Alexandrino Servolo de Medeiros é médico infectologista e presidente da Sociedade Paulista de Infectologia.





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