Infectoeste 2019: evento levantou discussão sobre o envelhecimento da população com HIV

Segundo uma recente pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2060 o número de idosos no país deve chegar a 25,5% ou um quarto de toda a população. E a longevidade dos portadores de HIV também tem sido uma situação observada nos últimos anos pelos profissionais que cuidam desses indivíduos.

Devido à importância dessa nova realidade, o médico infectologista e representante da companhia farmacêutica GSK, Thiago Mamede, fez uma apresentação sobre o assunto na 6ª edição do Infectoeste, evento promovido gratuitamente pela Sociedade Paulista de Infectologia, que aconteceu no dia 9 de novembro, na cidade de Barretos, em São Paulo.

“Há 16 anos, quando eu comecei a trabalhar com HIV, ela era uma doença que a letalidade era muito alta, ou seja, a gente não via os pacientes envelhecerem tanto. E agora com a melhoria da terapia antirretroviral, o uso de medicamentos mais modernos e potentes, a facilidade na ingestão da medicação e com menos efeitos colaterais para interferirem na qualidade de vida deles, as pessoas têm vivido cada vez mais”, explica Mamede.  

Porém, dentro de um cenário positivo surge outra preocupação dos especialistas: o aparecimento precoce de várias comorbidades associadas ao envelhecimento, que vão desde as doenças cardiovasculares, insuficiência hepática ou renal até tumores. Vale lembrar que o paciente com HIV é considerado idoso a partir dos 55 anos, e não como na população geral, que é de 60 a 65 anos.

“Nosso maior desafio neste momento tem sido o de entender e aprender a lidar com esse tipo de paciente e cuidar dele de uma forma mais integral. Para isso, precisamos contar com a parceria de outros especialistas, pois somente entender o processo inflamatório que o vírus produz e toda fisiopatologia da doença não são suficientes, já que se trata de um assunto complexo. Já na questão da nossa especialidade, precisamos conseguir avaliar de forma individual o que é melhor para ele, como por exemplo: qual tipo de tratamento que vai interferir menos na qualidade de vida, se vale a pena manter ou trocar a medicação que tem sido utilizada, entre outros fatores”, finaliza o infectologista.





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