Caiçarão 2019: resistência bacteriana foi um dos assuntos discutidos no evento

No último sábado, 19 de outubro, a Sociedade Paulista de Infectologia promoveu a 4ª edição do Caiçarão (Encontro de Infectologia do Litoral Paulista), evento tradicional voltado para médicos infectologistas, outros profissionais de saúde e estudantes de medicina.

O evento contou a participação de 87 inscritos, além de palestrantes e convidados e durante a ocasião, o médico infectologista do HC-FMUSP, professor da USJT e coordenador do evento, Dr. Evaldo Stanislau falou sobre o problema da resistência bacteriana e o que se pode fazer para melhorar o cenário.
“A resistência bacteriana ainda é desconhecida pela maior parte dos médicos e as pessoas acreditam de fato que os antibióticos resolvem os problemas, quando na verdade eles não solucionam mais, continuam sendo mal utilizados no ambiente hospitalar e precisamos reverter essa situação urgente”, alerta o especialista.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), partir de 2050 a estimativa é que venham a falecer 10 milhões por conta do problema, superando o número de óbitos por câncer, de 8,2 milhões. Atualmente, cerca de 700 mil indivíduos morrem por ano em decorrência da resistência bacteriana, ou seja, por conta das superbactérias.    

De uma maneira geral, o médico se mostrou preocupado com a cultura das pessoas de utilizarem esses medicamentos de forma errada e excessivamente, dos mitos pela ingestão por períodos alongados sem entender que eles devem ser usados enquanto existe a indicação clínica. E também as dificuldades para se implementar o básico, que vai desde a higiene adequada das mãos até as medidas de precaução de barreira/contato que as pessoas não aderem.

Outro tema abordado dentro da palestra do especialista foi o One Health, um conceito relativamente novo que integra o cuidado com a saúde humana, animal e do meio ambiente, como método bem-sucedido de esforços em saúde pública e garantia de bem-estar da sociedade. “Por mais que o especialista siga todas as orientações corretamente no hospital, fora dele os pacientes às vezes já chegam colonizados, contaminados, ou sob influência de outros fatores sob os quais não temos gestão. Logo, quando pensarmos em políticas públicas de saúde e de prevenção precisamos ampliar nosso horizonte, inclusive para combater desigualdades e desequilíbrios que existem fora da saúde humana”, finaliza Stanislau.  





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