Médico infectologista faz alerta sobre os perigos da Criptococose

Recentemente, a mídia brasileira noticiou a morte de dois homens em Santos, no litoral paulista, por conta da criptococose, conhecida popularmente como “doença do pombo”, uma infecção causada por fungos que se instalam nos pulmões e de lá migram para o sistema nervoso central, levando à doenças como meningite. Esses agentes estão presentes nas fezes dessas aves e também em frutas, solos e árvores como o jambolão e o eucalipto.

De acordo com dados da Rede Criptococose no Brasil (RCB), formada por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em todo o mundo são notificados anualmente entre 200 e 300 mil novos casos da doença, com cerca de 180 mil óbitos. Embora os indivíduos com defesas comprometidas sejam os principais alvos desta doença (pacientes com HIV, transplantados, usuários de imunobiológicos e corticoides), a doença também pode comprometer indivíduos sem nenhum déficit na imunidade.

O paciente contaminado manifesta sintomas que podem até ser confundidos com outras doenças como febre, fraqueza, dor no peito, dor de cabeça intensa, vômitos e até confusão mental, que se não forem corretamente diagnosticados e tratados levarão ao óbito. Por isso, uma avaliação realizada por um médico com exames laboratoriais é fundamental para o diagnóstico da doença. Os hospitais do Sistema Único de Saúde possuem recursos básicos para o diagnóstico da doença, com testes rápidos e específicos. Por sua vez, o tratamento dependerá da forma clínica que cada indivíduo apresenta e pode ser feito com antifúngicos por via venosa por um período de dias ou semanas e, em seguida, remédios orais são recomendados por cerca de um ano. O diagnóstico precoce é importante uma vez que a mortalidade da doença chega aos 50% nos estudos brasileiros.

Vale lembrar que os pombos precisam de água, comida e abrigo para sobreviverem, logo é fundamental para o controle de infestações que a população não os alimente voluntariamente, mantenham as frestas das casas vedadas para que não encontrem abrigo e nem acúmulo de água parada e resto de comida acessível em lixeiras. Ressaltando que é proibido matá-los, sendo assim, em caso de infestação é fundamental chamar o controle de zoonoses da sua região.  

 
Daniel Wagner de Castro Lima Santos é médico infectologista e membro da diretoria da Sociedade Paulista de Infectologia





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