Janeiro roxo: entenda a importância do diagnóstico e tratamento contra a Hanseníase

O primeiro mês do ano traz mais uma ação voltada para a saúde: é o Janeiro Roxo, mês de conscientização sobre a Hanseníase. Uma doença infecto contagiosa, causada pelo Bacilo de Hansen, de evolução prolongada, que afeta a pele e os nervos periféricos do corpo humano.
 
Segundo a professora titular e chefe da Disciplina de Dermatologia Geral do Departamento de Dermatologia da EPM/Unifesp, Jane Tomimori, a doença é endêmica, com o maior número de casos concentrados na região Norte e Centro-Oeste, seguido da região Nordeste do país. “O Brasil, junto com a Índia e Indonésia, concentram o maior número de casos. Com ações preventivas, como a busca ativa pelos doentes, tem diminuído a prevalência de 2,06/10 mil habitantes em 2008 para 1,01/10 mil habitantes em 2015, de acordo com o Ministério da Saúde. Assim, a busca ativa da doença, o controle dos comunicantes, as medidas de educação e o diagnóstico precoce reduzem a prevalência da Hanseníase", comenta a especialista.
 
A primeira manifestação da doença é o surgimento de mancha(s) esbranquiçada(s) com alteração da sensibilidade, caracterizada como forma indeterminada. Após alguns anos, a doença evolui para  paucibacilar ou tuberculoide, caracterizado pela presença de lesões eritematosas em pequeno número e unilaterais. Ou ainda pode evoluir para multibacilar ou virchowiano, com múltiplas lesões disseminadas na forma de nódulos com acometimento difuso dos nervos periféricos. E para finalizar existe uma forma intermediária, denominada forma dimorfa ou "borderline", que guarda as características dos dois polos.
 
A Hanseníase tem cura, entretanto, exige tratamento prolongado para não desencadear problemas ao paciente ou a transmissão da bactéria para indivíduos de convívio próximo, por meio de contato direto com doentes sem tratamento, pois eles eliminam os bacilos por meio do aparelho respiratório superior. Atualmente, sabe-se que não há necessidade do isolamento dos indivíduos, pois o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece os medicamentos necessários para recuperação dos portadores da doença.


“O programa de eliminação da Hanseníase é global e envolve uma série de medidas para o controle da doença. Como citamos, medidas de educação não só da população por meio de campanhas mundiais, como Janeiro Roxo, mas também educação dos profissionais da saúde por meio de carga horária mínima do ensino da Hanseníase na graduação são essenciais. Outras ações como: busca ativa dos casos de Hanseníase nas áreas endêmicas, detecção precoce da doença evitando-se a disseminação do agente, prevenção de incapacidades e controle dos comunicantes com a vacinação com BCG são alguns destaques. Para finalizar e não menos importante é necessária a análise dos índices como prevalência e coeficiente de detecção geral e em menores de 15 anos, que nesse último caso indica a força de transmissão recente da doença e tem maior aderência ao tratamento poliquimioterápico, evitando-se o surgimento de resistência microbacteriana”, explica Jane.



As ações destacadas acima são importantes para o controle e eliminação da Hanseníase, Entretanto, na prática clínica é observada a dificuldade no diagnóstico precoce da enfermidade, seja pela própria característica, que é oligossintomática nas fases mais precoces, ou pela falta de preparo para o diagnóstico da doença pelos profissionais da saúde. Uma vez que os exames laboratoriais de triagem têm o seu uso limitado, o treinamento dos profissionais da saúde para um diagnóstico clínico precoce é essencial.





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