Especialista fala sobre a explosão de novos casos de sífilis nos últimos anos

Durante a última edição Caiçarão, que aconteceu nos dias 10 e 11 de novembro de 2017, na Associação Paulista de Medicina – Regional Santos, o cenário da sífilis no século XXI foi tema de amplos debates. O médico infectologista, Dr. Orival Silva Silveira fez um alerta sobre a explosão no número de casos nos últimos anos, com mais de 87 mil pessoas com sífilis adquirida e cerca de 37 mil casos de sífilis em gestantes. Além disso, quase 21 mil de sífilis congênita - entre eles, 185 óbitos - foram registrados no Brasil, apenas em 2016.
 
“Os dados acabam falando por si e podemos concluir que o cenário da Sífilis no Brasil, apesar de ser uma doença conhecida, temida e ter tratamento efetivo, rápido e de baixo custo, é preocupante e alarmante. Nós observamos um aumento muito significativo nos casos nos últimos anos, o que nos remete a refletir onde nós, os profissionais da saúde, estamos errando”, conta o especialista.
 
Em comparação com o ano de 2015, houve um aumento de quase 15% na taxa de detecção em gestantes, acompanhado do aumento de 4,7% na incidência de sífilis congênita e do aumento de 26,8% na incidência de sífilis adquirida. Em 2015, os dados do SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) divulgaram um total de cerca de 1.500 óbitos por sífilis congênita em menores de um ano, incluindo aborto e natimorto. E de acordo com Dr. Orival, o motivo dessa grande explosão de casos ainda é o relaxamento do uso de preservativos e outras medidas de prevenção com o advento da terapia antirretroviral efetiva para o HIV. 
 
“É inconcebível que no século XXI ainda existam mortes pela sífilis. Não podemos nos conformar que 28% dos casos de sífilis em gestantes ainda sejam diagnosticados no terceiro trimestre. É preciso entender de onde vem o grande problema. Será que as gestantes têm acesso ao pré-natal tardiamente? Ou estamos falhando no diagnóstico precoce? Ou ainda, estas gestantes estão se contaminando durante a gravidez? Estamos erramos nas medidas preventivas? Independente das respostas, o fato é que o cenário da sífilis precisa mudar”, alerta o médico.
 
Segundo o infectologista, uma maneira de reverter essa situação é lembrar que, na maioria das vezes, a sífilis não se manifesta clinicamente e somente a realização do exame sorológico irá conseguir fazer o diagnóstico. “É preciso saber que estamos vivendo uma epidemia e, apesar de termos grupos mais vulneráveis, qualquer um pode portar o vírus e, consequentemente, manter a cadeia de transmissão”, alerta.
 
Silveira ainda diz que é preciso pensar 'mais cedo' na sífilis. O diagnóstico e tratamento são simples e disponíveis na rede, por isso, é necessário coloca-los em prática e sempre testar a sífilis, já que portador da doença não precisa ser referenciado e o diagnóstico e o tratamento não exigem tecnologia avançada.
 
A respeito do tratamento dessa doença, durante a 69ª Assembleia Mundial da Saúde, a Organização Mundial de Saúde alertou sobre a possibilidade de faltar penicilina no mundo devido à escassez de matéria prima. Antecipando essa notícia catastrófica, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, em conjunto as instâncias envolvidas, em 02 de setembro de 2015, lançou uma nota técnica cujo assunto era a dispensação de penicilina no estado, propondo alternativas para o tratamento da sífilis com doxiciclina e ceftriaxone em algumas situações.
 
“Não há experiência suficiente para nos deixar tranquilos sobre essa alternativa e para não desabastecer a rede desse medicamento o Ministério da Saúde destinou R$ 13,5 milhões para a aquisição de penicilina benzatina e  cristalina em outubro desse ano”, finaliza o especialista.





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