Novo protocolo clínico e diretrizes terapêuticas da Hepatite C Brasil

Neste mês de novembro aconteceu o Caiçarão, evento promovido pela Sociedade Paulista de Infectologia, na cidade de Santos em São Paulo. Durante a ocasião houve uma ampla discussão sobre a atualização na terapia da Hepatite C.
 
Em 2017, a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou a criação de um plano para eliminar a hepatite C no país até 2030.  A proposta de eliminação prevê que todos pacientes diagnosticados com a doença sejam atendidos, a partir de 2018, independente do grau de comprometimento do fígado. A expectativa é de que a fila conhecida dos casos F3 e F4 termine neste semestre e, até os primeiros seis meses de 2018, para que os diagnosticados com F2 também comecem a ser progressivamente atendidos.
 
O médico infectologista Antônio Alci Barone, que esteve presente no Caiçarão para apresentar uma palestra sobre o novo protocolo clínico e diretrizes terapêuticas da Hepatite C no Brasil, acredita que o atual momento é de uma encruzilhada. “Nós não sabemos se ficamos felizes porque nós estamos curando todos os pacientes ou preocupados já que a quantidade de pessoas que são diagnosticadas e submetidas aos tratamentos ainda é muita pequena em relação à realidade. Essa euforia é um pouco prejudicial no sentido de que faz com que possivelmente se dê menos importância a uma das doenças que mais mata no mundo todo”, explica o infectologista.
 
Segundo dados do Boletim Epidemiológico, em 2016, foram registrados em nosso país 27.358 casos de Hepatite C, o que representa 13,3 casos por 100 mil habitantes. O mesmo patamar de 2015, quando foram notificados 27.441 casos (13,4 casos por 100 mil habitantes). 
 
Atualmente, existem medicamentos que garantem de 95% a 98% as chances de cura da doença, porém, o diagnóstico precoce da Hepatite C ainda é um desafio. “Os pacientes não procuram realizar os exames para saber se estão com a doença, os médicos não pedem diagnósticos. Embora existam campanhas sugerindo isso, os pacientes, principalmente os na faixa de 40-45 anos até as idades mais avançadas, deveriam ser obrigado a realizar os exames, independente de exposição ou não, porque assim seria possível detectar o maior número possível de pessoas com a doença dentro da população.
 
O especialista acredita que os caminhos que devem ser seguidos para o tratamento da doença são as campanhas de conscientização e da procura dos diagnósticos e projetos que envolvam grandes populações possibilitando acesso ao tratamento para todos os pacientes infectados pelo vírus C. Quanto ao plano da Organização Mundial de Saúde de erradicar a doença o infectologista expressa uma opinião positiva “A proposta de eliminar a Hepatite C é provável em 2030 desde que sejam seguidas as orientações do Ministério da Saúde”, finaliza Barone. 





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