Médico infectologista e membro da diretoria da SPI esclarece o que é importante saber sobre os novos casos da Febre Amarela

As recentes notícias dos diagnósticos de febre amarela em macacos mortos na Grande São Paulo e o registro de uma morte humana na cidade de Itatiba, interior de São Paulo, vem causando preocupações tanto pela parte do governo que já providenciou campanhas de vacinação para prevenir a doença em humanos, como também pela população que formou filas enormes nos postos de saúde para garantir a imunização.
 
Segundo o médico infectologista e membro da Sociedade Paulista de InfectologiaCarlos Magno Castelo Branco Fortaleza, episódios envolvendo mortes de macacos são motivos de preocupação e cautela, sim, mas não de pânico. “A ocorrência de febre amarela em macacos nas regiões altamente populosas, como a Grande São Paulo, já era prevista. A doença tem avançado no país nos sentidos sul e leste. Infelizmente, essa situação traz novos riscos de acometimento humano, e até de urbanização. Mas há pelo menos uma notícia boa: com a capacidade instituída para vigilância de mortes de macacos e diagnóstico da febre amarela nesses animais, existe a possibilidade de vacinar a população das regiões próximas e evitar casos humanos”, explica o especialista.
 
A transmissão da febre amarela se dá pela picada de mosquitos infectados pelo vírus. Reconhecem-se dois tipos de ciclo epidemiológico da doença: o ciclo silvestre, no qual mosquitos dos gêneros HaemagogusSabethes e outros se contaminam ao picar primatas (macacos) e transmitem a doença para os seres humanos; e o ciclo urbano, no qual a doença é transmitida de um ser humano a outro pelo mosquito Aedes aegypti.
 
No Brasil, desde 1942 temos registrado somente o ciclo silvestre. Portanto, a febre amarela tem sido transmitida a partir de macacos infectados, por mosquitos que não estão adaptados ao ambiente urbano. Mas a urbanização da doença é um risco, já que temos muitas cidades infestadas pelo Aedes aegypti.
 
Em relação ao futuro da doença no Brasil o especialista afirma que serão encontrados novos casos de primatas acometidos pela febre amarela em regiões consideradas livres da doença. “Isso representará um desafio, com a necessidade constante de vacinar novas populações. Infelizmente, não há perspectivas de novas tecnologias de prevenção e tratamento no horizonte”, conta Fortaleza.
 
Em cerca de 80% a 90% dos casos, a doença é assintomática ou oligossintomática (apresentando-se com febre baixa, mal estar e cefaleia). Esses casos geralmente não chegam ao conhecimento dos profissionais da saúde. Preocupam os casos moderados a graves, nos quais os sintomas envolvem febre alta, dores musculares, icterícia (coloração amarela da pele) e sangramentos. Nas situações de evolução desfavorável, ocorre necrose (destruição) maciça do fígado e o paciente tem queda da consciência, hemorragias graves e mal funcionamento dos rins (menor quantidade de urina) e dos pulmões (dificuldade de respirar). Até metade dos casos que procuram assistência médica podem evoluir para morte.
 
A medida mais eficaz para prevenir a doença é por meio da vacinação que é extremamente eficaz e promove imunidade duradoura (para a vida inteira, segundo novos estudos). “Devido a alguns efeitos colaterais, a vacina (que é feita com um vírus vivo atenuado, enfraquecido) tem sido administrada às populações em que a ameaça da doença é significativa. E esse risco tem sido adequadamente analisado pela intensa vigilância de morte de primatas. Nesse ponto, o Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo têm agido de forma correta para prevenir a expansão da febre amarela em seres humanos”, finaliza o infectologista





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