PrEP: aliada para a prevenção do HIV

Recentemente, a Sociedade Paulista de Infectologia promoveu o Fórum de Controvérsias em HIV/Hepatites, no Auditório Professor Ivan de Oliveira Castro, no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo. O uso da profilaxia pré-exposição ao HIV foi um tema discutido vastamente durante o evento, já que ela se tornou uma aliada na prevenção para o HIV em indivíduos que não foram infectados, mas que possuem riscos de contrair o vírus.
 
Segundo Esper Kallas, que foi um dos organizadores do evento e é Coordenador Científico da Sociedade Paulista de Infectologia, a eficácia deste método PrEP - que se baseia no uso de medicações anti-retrovirais que estejam presentes no sangue antes da relação sexual - foi amplamente testada por meio de vários estudos com números grandes de participantes, com pessoas com alta vulnerabilidade de infecção pelo HIV.
 
"A partir de 2010, esses estudos começaram a ficar disponíveis e os resultados comprovaram que a PrEP é altamente eficaz. Com esses materiais ficou claro que as pessoas que estavam tomando as medicações corretamente tinham proteção que se aproximava de 100%. Após essas observações começaram a ser feitos estudos de emprego da medicação no dia a dia, chamados de “estudos em vida real” para demonstrar se o que se via nos estudos de pesquisa clínica traduzia na prática diária. E a surpresa foi grande: depois que as pessoas descobriram que a PrEP os protege contra o HIV a adesão ao uso da pílula e a proteção que eles acabam conseguindo acabou sendo ainda maior do que os estudos publicados anteriormente”, explica Kallas.
 
Com isso, essa eficácia foi reconhecida não só pela comunidade científica, mas também por aqueles que lidam diretamente com os pacientes e as pessoas que trabalham com políticas públicas adotaram a recomendação da PrEP como uma das principais medidas de combate a transmissão do HIV.
 
Vale ressaltar que apesar de sua eficácia, a PrEP não exclui outras possibilidades de prevenção. Ou seja, ela faz parte de um pacote preventivo, com múltiplas intervenções para que todas elas atuem no combate a epidemia. Ela não anula o uso de preservativo, o diagnóstico de tratamento de DSTs e a realização do teste, muito pelo contrário, a realização do teste é fundamental, sem ele implementado em paralelo com a PrEP não se tem uma política adequada de prática do uso dessa intervenção.
 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o emprego da PrEP pelas políticas públicas e vários países já adotaram. O Brasil passará a adotar a partir do final deste ano como uma das medidas de prevenção da transmissão do HIV em populações de maior vulnerabilidade. 
 
"As pessoas estão entendendo que é uma medida de prevenção eficaz. Elas estão perguntando, comprando na rede privada e alguns estudos estão sendo realizados em grandes centros do Brasil para avaliar a PrEP em outras condições especiais, com muitos indivíduos participando dessas pesquisas. O que é considerado pouco, perto dos que precisam; somente uma política pública de saúde de acesso a PrEP poderia resolver este problema”, finaliza Kallas.





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