Os novos caminhos para o tratamento da Hepatite C

Aconteceu no último dia 12 de agosto o Fórum de Controvérsias em HIV/Hepatites, evento promovido pela Sociedade Paulista de Infectologia, no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, no Auditório Prof. Ivan de Oliveira Castro, em São Paulo. Durante a ocasião houve uma vasta discussão sobre os diagnósticos e os tratamentos para Hepatite C.
 
Segundo o especialista que esteve presente no evento como moderador da mesa, João Silva de Mendonça, no Brasil há estimativa de cerca de um milhão de infectados. “A maioria desconhece esta situação, pois a infecção evolui silenciosamente por muito tempo. Os que adquirem a infecção têm elevado risco de cronificação, com fibrose progressiva no fígado e até cirrose, podendo até mesmo desenvolver câncer do fígado. Então, a eliminação do vírus é crítica para evitar tal progressão”, explica Mendonça.
 
A Hepatite C é uma doença inflamatória do fígado, causada por um vírus, e sua forma de transmissão se dá após o contato com sangue contaminado em transfusões de sangue, acidentes com material contaminado, no caso de trabalhadores na área da saúde, por meio de drogas injetáveis ou de mãe para filho, seja durante a gravidez ou no parto.
 
“Até recentemente, o tratamento existente realizava-se pela dupla peginterferon e ribavirina, por 12 meses, com muitos efeitos colaterais e taxa de sucesso não elevada. Atualmente, com a descoberta de antivirais potentes e que são bem tolerados, além do encurtamento do tempo de tratamento para apenas 12 semanas, está trazendo um grande otimismo, pois as taxas de cura ultrapassam os 90%. Aguardamos que em breve possamos tratar todos os infectados, e não apenas os que têm a doença mais avançada, como atualmente prevê nosso Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT). Deduz-se que são cerca de 450 mil brasileiros com fibrose avançada (dita F3-F4), mas a maioria ainda não está reconhecida. São tratados, atualmente, por volta de 36.000/ano, o que nos coloca em uma situação complicada, se pretendemos ter controle razoável desta 'epidemia' ", finaliza Mendonça.
 
Recentemente, o Ministério da Saúde anunciou que vai oferecer um novo tratamento para todas as pessoas diagnosticadas com Hepatite C, independente do grau avançado do comprometimento do fígado. A expectativa é de que a fila conhecida dos casos F3 e F4 termine neste semestre e, até os primeiros seis meses de 2018, os diagnosticados com F2 também comecem a ser progressivamente atendidos. 
 
O especialista Paulo Roberto Abrão Ferreira, que também esteve presente no evento apresentando uma palestra sobre os tratamentos para doença, comentou sobre as novas alternativas. “Nosso protocolo do Ministério da Saúde está quase sendo implementado com novas opções terapêuticas. Nós já temos sofosbuvir, simeprevir, daclatasvir  e agora teremos o 3D. Temos alta chance de cura da Hepatite C e precisamos diagnosticar mais pacientes para que eles sejam curados antes que tenham complicações graves”, finaliza Ferreira.  





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