Candida auris – Um desafio emergente?

Tema foi discutido durante o Caipirão 2017

Recentemente, aconteceu o Caipirão 2017, evento gratuito e anual promovido pela Sociedade Paulista de Infectologia em parceria com a Unicamp, USP/Ribeirão Preto, UNESP/Botucatu e a Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto. Na ocasião um tema importante foi apresentado pela professora da UNICAMP, Maria Luiza Moretti, Candida auris, um fungo emergente que apresenta uma ameaça à saúde global e que foi identificado pela primeira vez em 2009 em um paciente internado em um hospital no Japão. 

De acordo com apresentação da especialista, a explicação para o aparecimento da Candida auris conta com duas hipóteses:

A primeira hipótese é que pode ter havido identificação errônea de isolados previamente identificados como: C. haemulonii, C. sake, C. lusitaniae, Saccharomyces cerevisiae e Rhodotorula glutinis pelos métodos convencionais automatizados.

A primeira descrição foi em 2009 em amostra clínica de canal auditivo externo de um paciente japonês e logo em seguida foi encontrado em uma coleção de fungos da Coréia que estavam estocados, em 1996. A segunda hipótese foi a emergência simultânea múltipla em vários países do mundo que pode ter sido desencadeada pelo uso de antifúngicos, não somente para o tratamento de doenças fúngicas, como também na lavoura, somada à capacidade específica de disseminação clonal.

Um estudo importante publicado no periódico Clinical of Infectious Diseases 2017, vol 65 (15) mostrou que ocorreu o aparecimento simultâneo de C. auris em 3 continentes, e estes resultados foram embasados no sequenciamento de todo o genoma de C. auris, e de sua análise epidemiológica. Trata-se de levedura que apresenta importante perfil de resistência aos antifúngicos, em especial ao fluconazol, voriconazol e anfotericina B. Este estudo também revelou que, os 54 pacientes incluídos com infecção por C. auris (2012-2015), eram do Paquistão, Índia, África do Sul e Venezuela, eque 41% apresentava diabetes, 51% haviam sido submetidos à cirurgia recente e 61% apresentaram infecção por corrente sanguínea. Destes, 59% foram à óbito.

De acordo com o material, um primeiro surto identificado na Europa foi em um hospital na Inglaterra onde ocorreram 50 casos em 16 meses O levantamento ambiental mostrou que C. auris estava presente no mobiliário e ao redor das camas, colonizando os contatos e o pessoal da área da saúde.

C. auris produz biofilme o que facilita a aderência em superfícies e mãos dos profissionais da saúde. Deste modo, indica-se que paciente permaneça em quarto privativo com adoção de medidas de precaução de contato, como o uso de luvas e aventais descartáveis ao contato com o paciente, podendo também ser aplicada a descolonização de pacientes com o banho com clorexidine 2% - 2X /dia. Lavagem das mãos de todos os profissionais da saúde antes e após o contato com o paciente lembrando que após o descarte da luva é mandatória a lavagem das mãos dos profissionais da saúde.

Entre as conclusões apresentadas estão as de que C. auris é uma espécie recentemente descrita, que causa diversas infecções, principalmente infecção em corrente sanguínea em pacientes internados em unidades de terapia intensiva, além de colonização; notavelmente resistente aos antifúngicos e com alta mortalidade. Além disso, é importante ressaltar que produz biofilme, tem identificação incorreta pelos sistemas automatizados e tem capacidade para causar surtos intra-hospitalares. Importante ressaltar a necessidade de se apostar em medidas de precauções envolvendo pacientes – pessoal da saúde/ambiente hospitalar.  Lembrando sempre da lavagem de mãos. 





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